Entrevista com... Inês Telles

Atualizado: Jul 4

A Inês Telles é muito mais que uma joalheira ou uma marca de jóias. A Inês é uma contadora de histórias. E enquanto os escritores contam as suas histórias escrevendo livros, a Inês conta as suas histórias através das suas jóias. Nas suas colecções, a joalharia, a arte, a natureza e a história dos tempos fundem-se para criar formas e objetos únicos e especiais, que mexem com os nossos sentidos.


Quem conhece a Inês sabe que o seu universo se reflecte não só nas suas jóias, mas também na simpatia de toda a equipa, no seu atelier tão bonito e inspirador, e na energia que nos transmite. Hoje apresentamos-lhe um bocadinho mais sobre a joalheira.




ID do Joalheiro



Nome: Inês Telles

Origem: Lisboa, Portugal

Anos de carreira: 11 anos

Formação: Licenciatura História da Arte (UNL – FCSH); Curso Técnico Designer de Joalharia Contemporânea (Contacto Directo)





Inês, como é que começou a tua relação com a joalharia?

Foi uma relação que sempre esteve presente em mim e que foi crescendo ao longo dos anos. Desde miúda que gostava de fazer pulseiras e colares com missangas e cordões. Lembro-me de ser muito pequena e numa oficina educativa ter feito o meu primeiro brinco com metal e um búzio. Já adolescente, fazia muitas vezes os meus brincos, com formas e pequenos objetos que gostava. Na faculdade, nos trabalhos muitas vezes focava-me nos adereços. Sempre gostei de observar e estudar os detalhes e os adornos de cada momento da história das diferentes culturas do mundo. Traduzem hábitos, costumes e rituais, tantas vezes com associações simbólicas e espirituais.


Qual a primeira peça ou jóia que fizeste?

A primeira peça que estudei e criei com uma intenção foi uma caixa. Na altura estava no segundo ano do curso de História da Arte e iniciava a minha primeira formação na área da joalharia com a joalheira, agora grande amiga também, Catarina Fernandes (Kali).

Foi-me proposto o desafio de construir um objeto baseado na forma de um sólido. Já na altura inspirava-me muito na ilustração e quis explorar a ideia de transparências, do imprevisível e mutável. Fiz uma caixa em latão composta por dois corpos, em que um entra no outro. O de fora com recortes diferentes em cada face e o outro com diferentes ilustrações impressas em acetato transparente. À luz, vêm-se as transparências dos desenhos e a caixa ganha diversas combinações.



Qual a tua maior inspiração para as tuas colecções?

Há coisas que me inspiram profundamente e diariamente, na forma de ver, interpretar, de sentir e, por consequência, reflete-se nas formas que crio e nas peças que construo na joalharia. As pessoas e o Corpo, os lugares ou outras áreas criativas.

Contudo, mais do que qualquer uma destas coisas o Mundo Natural, a Natureza no geral, tem uma presença diferente.


Esquisso da Colecção Luzia


Dizer que o meu trabalho é inspirado na natureza ... sim, mas é mais do que inspirar. A relação e ligação com o Mundo Natural torna-se fundamental para mim, aguça-me os sentidos, permite-me sentir de forma mais fluida e genuína, ensina-me a olhar os detalhes de forma mais atenta, relevar as texturas e favorecer determinadas formas. 

É uma constante aprendizagem. A Natureza sem dúvida tem este papel central para mim. E o meu trabalho é um resultado desta relação.


Se tivesses que eleger a tua peça favorita - qual seria?

Há uns anos, em 2012, fiz uma coleção que me deu muito gozo. Na altura vinha de uma longa viagem que me marcou muito pela América Latina. De umas montanhas do norte da Argentina, perto de Salta, trouxe algumas pedras de xisto, com tons de terra entre o ocre e o bordeaux. Destas pedras nasceram colares, brincos e pregadeiras. Brinquei com o facetado e irregularidades. Acho que lhes atribuí um significado muito simbólico, de quase amuletos, inspirados numa cultura que admira e agradece tanto à ‘Mãe Terra’.


De resto, há peças que adoro fazer, como os brincos Ellos modulares, que eu chamo de Mobil. Foram inspirados num objeto que eu fiz para decorar a parede. Reduzi a escala e em três peças compus um brinco que é divertido, tem muito movimento e uma aparente robustez, apesar de ser leve.

Algumas jóias da colecção Ellos


Fora da joalharia, o que é que te entusiasma? Hobbies?

Inês Telles: Na verdade tenho muito pouco tempo livre no meu dia-a-dia. Esse é um ponto que eu quero conquistar nos próximos tempos. Mas gosto muito de tirar umas temporadas e sair da cidade. Passeios pelo campo ou idas para a praia, contemplar a natureza, recolher registos (naturezas mortas, cheiros, cores, formas).

Sou uma coletora. Gosto muito de colecionar várias coisas antigas - compassos, diversas formas de mãos, ferramentas antigas, o número 3 em vários formatos...

Inês Telles e Susana Neves - Pormenores do atelier Inês Telles em Lisboa


Adoro música, sou apaixonada por cerâmica, tecelagem e ilustração. Sou uma curiosa por ervas, infusões, plantas e flores no geral. Gostava também de aprender a bordar.


Qual o maior orgulho da tua vida profissional ou pessoal, até agora?

Inês Telles: O meu maior orgulho até hoje foi ter comprado por impulso uma viagem de ida para o Brasil com a ideia de trabalhar e viver num outro país, num outro continente que mal conhecia e sem prever como seria - mas com a intuição de uma grande aventura e que a tinha de experienciar. Deixei o quarto que alugava, o atelier da altura e uns pais preocupados, mas foi mesmo uma experiencia incrível, profissional e pessoalmente (isto em 2013).


Se não fosses joalheira o que é que serias?

Inês Telles: Esta pergunta é gira! Nunca tinha pensado nela. Gostava que fosse na área da botânica ou trabalharia na área das antiguidades.


O que aproveitaste para fazer nesta altura mais calma da quarenta?

Inês Telles: Uma coleção nova 😊 É uma colecção que chama pelo Verão e a alegria dos dias longos nas ruas. E estou finalmente a fazer uma coisa que há tanto queria fazer: pesquisar e encontrar soluções mais ecológicas e sustentáveis para a marca, principalmente em relação aos envios e packaging.

Mas também aproveitei para ler mais, desenhar e tratar o tempo com mais calma e descontração, gostava de conseguir manter.

Houve algum livro ou filme que tenhas visto nos últimos tempos e que te tenha marcado?

Inês Telles: Eu gosto muito da Sophia de Mello Breyner Andresen e para além de recomendar os livros dela, durante a "quarentena" vi o filme que o João César Monteiro fez com ela:

https://www.youtube.com/watch?v=VDi1av1fgzo

E também um documentário que está no youtube sobre a vida e precurso dela:

https://www.youtube.com/watch?v=s0MhPfK1OjY&t=190s


E por último, como te sentes em fazer parte da MOD?

Inês Telles: Foi um feliz encontro! Desde o primeiro momento que senti uma empatia e confiança grande com a ‘Família MOD’, os ingredientes fundamentais para uma relação de crescimento e longevidade. Têm uma ligação de carinho e respeito pelos clientes e para com quem colaboram e, acima de tudo, têm uma paixão e entrega pelo que fazem, assim como eu.


Obrigada Inês!


Para conhecer as jóias Inês Telles, veja a colecção da joalheira.




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